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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Inclusões excludentes


Aparentemente o termo inclusão virou moda e, como sói acontecer com todas esses modismos terminológicos, acaba tornando-se algo que não representa as suas reais intenções.

Das definições da palavra, a que sempre mais me agradou foi a de “pertencer entre os outros”, é a que melhor representa a minha crença de que só existe inclusão quando ela é de todos com todos.

No entanto, o que se vê todos os dias e com uma frequência absurda é a prática de incluir as pessoas do tipo X, Y ou Z. E aqui cabe uma ressalva, a realidade mostra que essas pessoas X, Y e Z realmente fazem parte de grupo que, historicamente, foram e ainda são excluídos em diversos contextos sociais e econômicos.

Por outro lado, se eu milito para só incluir X, e não tenho a menor preocupação com Y e Z,  eu estou sendo tão, ou mais, segregacionista que as classes privilegiadas.

Pior, muito pior, é quando eu crio situações ditas inclusivas que permitem só a participação das pessoas X. Quando eu exalto fatos ou notícias a respeito daquele lugar que só contrata ou admite pessoas Y, quando eu me emociono com relatos de um grupo de pessoas Z que teve sucesso (seja lá o que se entende por isso).

Essa postura é um problema ideológico, por que o que se esconde atrás dessa atitude é a não-aceitação da diversidade como valor humano e a perpetuação das diferenças entre pessoas, ressaltando que essas diferenças são insuperáveis e que cada grupo só pode jogar dentro do seu próprio quadrado.

Quando falamos de uma sociedade inclusiva, pensamos naquela que valoriza a diversidade humana e fortalece a aceitação das diferenças individuais. É dentro dela que aprendemos a conviver, contribuir e construir juntos um mundo de oportunidades reais (não obrigatoriamente iguais) para todos.

Se você se pretende autodenominar inclusivo, comece a se preocupar com todas as pessoas e não apenas com seu grupo de interesse.

O que passa disso, é enganação.

sábado, 6 de outubro de 2018

Meu posicionamento eleitoral



Intencionalmente não fiz comentários políticos até agora, mas acompanhei muitos que andaram circulando nas redes que eu sigo. Abaixo seguem algumas conclusões e as minhas recomendações (que não são de candidatos) para meus amigos eleitores.

a)     Nunca estivemos tão mal do ponto de vista de alternativas. Eu voto desde 1982 (não pude votar em 1978 pois quando completei 18 anos os cartórios já tinham encerrado as listas eleitorais para novembro), apesar disso já atuava politicamente desde 1977. Fui nos comícios das diretas, em comícios do MDB em 1982, 1985 e 1986. Apoiei o PSDB na sua criação em 1988. Fiz campanha por candidatos. Tínhamos nessa época uma profusão de políticos notáveis tanto da esquerda quanto da direita (claro, também tínhamos os picaretas de plantão, sobejamente conhecidos como tal). Eleger os constituintes em 1986 foi uma tarefa difícil, tantos eram os candidatos merecedores de confiança e de voto. 
O tempo foi levando embora esses políticos, muitos já morreram, outros tantos se aposentaram. A renovação foi um processo de deterioração contínuo. Não só não surgiram novas lideranças expressivas, como aumentou exponencialmente a quantidade de gente ruim, mal-intencionada e despreparada. Claro que isso me levou para bem longe de qualquer política partidária. Há anos não apoio e nem voto em ninguém.
Não sei se chegamos ao fundo do poço, se ainda não chegamos, estamos bem próximos dele.

b)     Nunca fomos tão antidemocráticos: as pessoas perderam totalmente a noção de como funciona o jogo democrático. Como em qualquer jogo, alguns ganham, outros perdem. E ninguém mais sabe perder. Achamos que precisamos ganhar na marra e, para isso, vale tudo, inclusive jogar sujo (muito sujo) e fora das regras. Agredir, ofender, distribuir notícias falsas, atribuir eventual derrota a teorias de conspiração ou, como no futebol, dizer que a culpa foi do juiz.
Ninguém se iluda achando que isso é coisa da extrema direita ou da extrema esquerda. Gente de todo o espectro político entrou na onda de agredir os candidatos, os apoiadores e simpatizantes dos candidatos e os que não apoiam nenhum candidato.
Não é à toa que temos os candidatos que temos, eles representam bem o que somos como povo.

c)     Minhas recomendações, se é que isso vale alguma coisa:
a.     Vote de acordo com sua consciência, não de acordo com o seu fígado: se você acredita na proposta de alguém, vote nessa pessoa e durma tranquilo por ter votado naquilo que acredita e não simplesmente contra H, B ou C. Para o fígado eu recomendo Epatovis.
b.     Ignore solenemente quem te agredir pela sua escolha eleitoral, mesmo que sua escolha seja anular o seu voto. Se alguém quer se irritar que seja o outro, não você.
c.      Perder é uma consequência da democracia, aceite isso: se seu candidato não for eleito ou não for para o segundo turno, reconheça que os demais tiveram mais eleitores, é simples assim.
d.     Onde tivermos segundo turno você vai ter uma nova chance de escolher: é para isso que existe segundo turno, adotar o chamado voto útil é apenas uma manobra de ilusão política que tentam nos impingir. Não seja tão inocente.
e.     Não perca amigos divergentes, se afaste dos agressivos: você pode conviver muito bem com quem pensa diferente de você e te respeita apesar disso. Você não deve admitir que as pessoas te agridam (por nenhuma das suas escolhas, por mais exóticas que elas sejam).

Pensei em falar também a respeito da incompetência da nossa centro/direita esclarecida e da nossa centro/esquerda competente para se unir contra os extremos, mas isso fugiria do tema que me propus.

Bom domingo e bom voto.

Descrição da imagem: tira de quadrinhos do Armandinho, de Alexandre Beck. Nela o garoto Armandinho está olhando para cima, para adultos que lhe dizem:"Ela foi maltratada e está toda estropiada, mas nem por isso deve ser sacrificada. E todos somos responsáveis por ela estar assim, distraídos com o próprio umbigo não lhe demos o devido valor, mas ela é jovem e, com a nossa ajuda, pode se recuperar e se tornar plena! E ser digna do nome que tem: democracia.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Não sou capaz de te chamar de incapaz

Nos últimos dezesseis anos eu tenho trabalhado para que meu filho, que tem Síndrome de Down, seja uma pessoa autônoma. Assim como tenho trabalhado para que a minha filha de 14 anos, que não tem Síndrome de Down, também seja uma pessoa autônoma. O trabalho não é exclusivamente meu. É do resto da família, da escola, da igreja e de todos os demais contextos que ele frequenta.

Vai muito além da educação formal (onde ele vai muito bem, obrigado). Se estende a questões de comportamento, de educação financeira, de educação social e aspectos de autonomia da vida diária.

Não acredito que ele seja um santo nem um anjo. Assim como tantos filhos “comuns” de diversos outros pais, entre os quais eu me incluo, tenho certeza que ele vai dar umas mancadas e fazer algumas besteiras de forma consciente. Ou não. Assim é a vida de cada um de nós.

Mesmo assim sou frequentemente questionado se pretendo interditá-lo quando chegar à maioridade. Segundo alguns, um instrumento de proteção.

Interditar significa tirar de uma pessoa o direito de exercer por conta própria os atos da vida civil. Significa impedir que ela faça escolhas e que tome decisões que dizem respeito a sua própria vida.

Significa dizer para o meu filho: você é um incapaz.

E qual seria a minha desculpa para proferir tamanha excrescência? Dizer que o cromossomo que não o impediu de estudar, participar da sociedade e não o impedirá de trabalhar no futuro o tornará incapaz quando chega aos 18 anos?

Que apesar dele viver num país que assinou a Declaração deMontreal e que adotou a Convenção Internacional pelo Direito das Pessoas com Deficiência (com status de lei constitucional), os seus direitos não são respeitados pelos burocratas de plantão?

Que depois de brigar tanto para que todas as pessoas com deficiência sejam consideradas tão humanas como outras quaisquer, ele vai ser privado exatamente dos seus direitos humanos?

O artigo 12 da Convenção é bem claro quando afirma que os Estados Partes reconhecerão que as pessoas com deficiência gozam de capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas em todos os aspectos da vida.

Não está se referindo a alguns aspectos da vida. Não está dizendo que aspectos específicos devam ser tratados como exceções, mas que a igualdade de direitos se estende a TODOS aspectos da vida.

Além disso, exige que se criem salvaguardas ao direito de exercer a vida civil. Não salvaguardas que impeçam o exercício desses mesmos direitos.

Mas continuamos a acreditar que proteger as pessoas com deficiência intelectual seja colocá-las numa redoma de vidro blindado onde elas possam ser admiradas pelos passantes mas não tenham a possibilidade de alcançar a vida real.

Continuamos achando que as nossas boas intenções (das quais o inferno está cheio, como diria sabiamente a minha mãe) são mais relevantes que as vontades das próprias pessoas que queremos defender.

Alguns poderão argumentar que a interdição permite que as pessoas com deficiência intelectual continuem a ter acesso aos benefícios assistenciais como o BPC Loas que preconiza que para recebe-lo a pessoa com deficiência seja considerado incapaz para a vida independente.

Uma demonstração inequívoca que um salário mínimo tem mais valor que os direitos humanos da pessoa com deficiência.

Eu vou continuar no meu caminho, o caminho que pretende levar meu filho à ampla, geral e irrestrita garantia dos seus direitos. Que pretende fazer dele e de todas as pessoas com deficiência seres humanos iguais a todos os outros (e não seres de segunda, terceira ou enésima classe).

Tudo indica que terei algumas brigas pela frente. Não serão as primeiras, nem as últimas.

Certamente uma briga eu nunca terei, que seria a minha briga com a minha própria consciência.

Eu nunca serei capaz de chamar meu filho de incapaz.

Descrição de imagem: Fábio e Samuel se olhando


*texto originalmente escrito para a Revista Deficiência Intelectual Nº8

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Xiita convidada - Dia de exercer cidadania



Para esse dia de votação  escolhi essa roupa por causa do nosso Brasil. O verde da calça significa a nossa bandeira e a blusa a luta pela inclusão.

Quis mostrar a luta que enfrentam as pessoas para serem incluídas na sociedade. Penso que podemos lutar pelos nossos  Direitos,  fazendo escolhas. Com isso a pessoa faz diferença.  

Tenho síndrome de Down e   para mim isso pouco importa. Voto agora pela segunda vez para defender o meus Direitos como cidadã.

Jéssica Mendes de Figueiredo é cidadã brasileira.

Descrição da imagem: foto da Jéssica segurando o seu titulo de eleitor em frente a entrada da sua seção eleitoral
                                                                                                                               

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Residual uma ova!




Ontem, durante o evento nacional da Semana de Ação Mundial, recebi a publicação da Unicef “O enfrentamento da exclusão escolar no Brasil”, estudo feito com base no censo demográfico de 2010 que aponta que, naquele momento, existiam 3,8 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar (4 a 17 anos) que estavam fora de qualquer escola. (para fazer download do estudo, clique aqui).

Não é um número qualquer, cerca de 70 países do mundo não chegam a ter essa população. 15 estados brasileiros não têm essa população. Das cidades brasileiras, apenas São Paulo e Rio de Janeiro têm mais gente que isso.

O que não significa que não exista gente se referindo a esse número como sendo residual em relação à população do país.

Segundo a Unesco o Brasil está entre os 53 países que ainda não atingiram e nem estão perto de atingir os Objetivos de Educação para Todos até 2015, apesar de ter apresentado importantes avanços no campo da educação ao longo das duas últimas décadas.

O país, não se pode negar, conseguiu avanços nas últimas duas décadas. O acesso ao ensino fundamental está quase universalizado, com 94,4% da população de 7 a 14 anos incluídos nesse nível de ensino.

A proporção de jovens na idade própria que se encontra no ensino médio é mais que o dobro da existente em 1995, mostrando expressivo avanço no acesso à educação secundária.

Além disso, houve a redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos e o aumento no acesso ao ensino superior (ainda que esse tenha se dado majoritariamente pelo crescimento mercantil das instituições privadas).

Ainda assim, são quase 4 milhões de crianças e jovens fora da escola, ainda que a nossa legislação garanta o acesso e permanência de todos na escola.

Para agravar a situação, outros 14,6 milhões de estudantes estão com algum atraso escolar, o que é um dos principais fatores de risco de evasão.

Os grupos mais afetados são os excluídos de sempre: negros, população rural e famílias de baixa renda e, claro, os excluídos dos excluídos: quilombolas, indígenas, pessoas com deficiência e jovens em conflito com a lei.

A culpa é difusa. Responsáveis (ou irresponsáveis) dos governos federal, estaduais e municipais, de todas as ideologias e coloridos partidários.

Políticos que, no momento, fazem promessas mirabolantes sobre suas prioridades para a educação mas que votam contra o aumento do financiamento da mesma.

Grupos que não tem interesse na melhoria da qualidade de vida dos seus tutelados pois isso representaria a perda de sinecuras e de dinheiro.

Sociedade que não cobra organizadamente os seus governantes e acredita que política só se faz nas urnas a cada dois anos.

Gente que acha que seres humanos são resíduos sociais.

Garantir todas as crianças e jovens na escola (e garantir que estejam aprendendo) deveria ser uma preocupação de todos. É através da educação que podemos transformar todas as nossas outras mazelas (saúde, segurança, economia...)

É um problema meu e é um problema seu.

Comece entendendo qual é o tamanho da encrenca na sua cidade (para saber quantos estão fora da escola no seu município clique aqui). Na minha cidade são “apenas” 170 mil fora da escola.

Não aceite desculpas esfarrapadas. Não aceite a tese de que o número é ínfimo (cada criança é um ser humano a mais privado dos seus direitos).

E não me venha com teorias residuais.
 
Descrição da imagem: cartaz da Unicef em fundo azul com os dizeres: "Fora da escola não pode! (o ponto de exclamação é um lápis de ponta cabeça). Cada criança e adolescente tem o direito de aprender"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Comédia de erros

Antes de começar a ler esse texto saiba que:

1. Eu sou contra a produção, venda e consumo de drogas.

2. Eu não tenho nada pessoal contra policiais, aliás, tenho amigos tanto na polícia militar, como na civil

3. Eu não sou filiado a nenhum partido, nem simpatizante de algum partido (mas cada dia sou mais anti-simpatizante de todos eles)

Isso dito gostaria de comentar o circo formado em torno do episódio polícia x estudantes da USP.

Como bem notou o Jayme Serva no dia em que a polícia prendeu os caras que estavam mandando ver num baseado dentro da cidade universitária, essa históiria não ia acabar bem.

A polícia entrou na USP depois da ocorrência de assaltos e latrocínios dentro do campus. Porque a universidade tem seguranças para impedir que as pessoas joguem bola no gramado (mesmo sendo um espaço público pago com os seus impostos), mas não para impedir crimes.

Assumindo sua incompetência em administrar o campus, o reitor e o conselho universitário chamaram a polícia para dentro da universidade. Sabidamente uma relação historicamente desconfortável.

Essa polícia, que deveria garantir que criminosos não atuassem, preferiu prender contraventores miúdos. Poderia muito bem ter confiscado a droga, jogado no lixo e mandado os moleques de volta para a sala e notificar a escola. Preferiram criar caso.

Ato contínuo, a comunidade de estudantes se revoltou e pediu a saída da polícia. Ato contínuo começaram as mensagens chamando os estudantes de "maconheiros". Uma generalização estúpida como costumam ser todas as generalizações.

Mas, parte dos estudantes, a maior parte, foi contra a paralisação. Democraticamente encerrada em assembléia. Nesse momento o debate sobre a presença da polícia poderia ter voltado à política universitária.

Se não fossem os eternos pseudo-revolucionários da esquerda albanesa , também conhecidos como maus perdedores, que resolveram invadir e se instalar na reitoria. Além de não terem mais o que fazer, ainda conseguiram acabar com a imagem dos alunos da USP (generalizações, de novo).

A Justiça, atendendo pedido da reitoria (cuja competência para negociação é tão alta quanto a temperatura média da Lapônia) autorizou a polícia a executar a reintegração de posse.

Como se tratava de uma imensa milícia revolucionária armada até os dentes, ou seja, 70 estudantes universitários, a polícia chegou com 400 homens armados, escopetas e tropa de choque. Um espetáculo deprimente e ridículo. A mesma polícia que não se prepara assim para reprimir o tráfico de drogas nos drive-throughs da Av Roberto Marinho (rip).

Pior, isso ainda alimentou o debate eleitoral de 2012. Nosso governardorzinho defendeu a brutalidade, no melhor estilo Erasmo Dias (se você não sabe quem é, procure no Google) e o ministro da educação, candidato a prefeito, veio dar palpite onde não devia.

Espero agora pelas próximas cenas. Quem sabe o FHC defendendo a discriminalização da cannabis (poderia também defender o descriminalização dos corruptos, afinal, a culpa é só dos corruptores), ou o PSTU propor a extinção da polícia.

Agora, como bem disse a Cristiana Soares, é nessas horas que a gente sabe quem é quem na nossa lista de contatos do Face. De um lado os defensores da repressão, de outro a turma do vale tudo. Um pouco de análise crítica, quase de ninguém.

A maior de todas as comédias dos erros é descobrir que tem muita gente sem nenhum conhecimento da história do país e, de outro, gente que não entende a mudanças que estão acontecendo.

Conclusão: nenhuma. Os fascistas vão continuar sua marcha pela tradição, família e propriedade. Os comunistas vão continuar usando o boné do Che Guevara.

Salve-se quem puder.

PS: Nesse momento, acabo de ler que a assembléia dos estudantes da USP decretou greve, a partir de amanhã. Será que vão chamar a Tropa de Elite para resolver o caso?

Descrição de imagem: foto de uma jovem com a mão na boca, vaiando. A moça usa um nariz de palhaço

sexta-feira, 26 de março de 2010

Uma eleição "deficiente"

A chamada do noticiário para o jornal da noite cita uma matéria onde o chefe político de plantão da localidade inaugurou um novo complexo esportivo dedicado às pessoas com deficiência. A reportagem, para ilustrar a matéria mostra a quadra poliesportiva novinha e cenas de um jogo de basquetebol entre cadeirantes, seguido de um jogo de futebol de salão para pessoas com deficiência visual.

Todos elogiam o lugar e exaltam a figura do doutor fulano que tornou aquele sonho possível. Em sua entrevista, o doutor fulano ressalta a importância da inclusão social (mesmo que isso signifique isolar pessoas com deficiência em um local só para elas) e faz promessas de mais benefícios para os "coitadinhos deficientes". Candidato a deputado na eleição que se aproxima, o doutor Fulano espera ser votado maciçamente por esse público.

Em casa, Marcos, que é pessoa com deficiência visual, ouve a matéria e chama a esposa para descrever o que a TV está mostrando, pois, em nenhum momento a emissora pensou que do outro lado da telinha existem milhões de cegos assistindo ao jornal e não têm acesso às imagens, pois a tal emissora não disponibiliza áudio-descrição dos seus programas.

Em casa, Ana Maria, que é surda e vive sozinha, não tem ninguém para chamar para lhe ajudar a saber a que exatamente as imagens da TV se referem, pois a emissora também não legendou a programação, nem providenciou a oferta da janela de LIBRAS para traduzir o que estava sendo dito na matéria.

Em casa, Dagoberto, que é cadeirante, achou tudo muito bonito, mas lamentou que não vai poder usar o complexo esportivo pois esse, apesar de acessível,está localizado num bairro da cidade que não é servido por transporte público adaptado.

Em casa, Mariana, pessoa com deficiência intelectual, pediu que a mãe a levasse para jogar basquete naquela quadra e teve de ouvir como resposta que a TV informara que aquele local tinha sido cedido para uma entidade de reabilitação, a qual não atende pessoas com a deficiência de Mariana.

Nesse momento, o doutor fulano acabava de perder ou, pelo menos, deixava de ganhar, no mínimo, 4 votos.

O último censo demográfico brasileiro aponta a existência de mais de 24 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Se mantida a proporção (14,5%), o censo que será realizado este ano de 2010 deverá encontrar quase 30 milhões de pessoas com deficiência. O maior grupo é o das pessoas com deficiência visual, parcial ou total, seguido pelo grupo das pessoas com deficiência física ou motora.

Desse total, mais de 70% têm mais de 16 anos e, portanto, são eleitores. Cerca de 20 milhões de votos (na verdade, muito mais, se considerarmos os familiares dessas pessoas) espalhados por todo Brasil. Sonho de consumo de qualquer candidato. Deveria ser o sonho de consumo de todo marketeiro que vai cuidar da propaganda eleitoral desses candidatos.

Os políticos ainda se preocupam em fazer jogo de cena e em entregar pacotes de caridade em forma de benefícios fiscais, gratuidades ou verbas para entidades assistencialistas. Os marketeiros não têm esse poder. Mas teriam o poder de fazer a mensagem publicitária chegar a esses eleitores e isso seria muito mais simples do que parece.

Numa eleição onde os meios de comunicação eletrônicos serão cada vez mais a ferramenta para se chegar aos eleitores, a falta de preocupação com a acessibilidade comunicacional é gritante. Se você entrar no site de qualquer um dos grandes partidos políticos vai encontrar, em todos eles, programas de TV da legenda. Nenhum deles tem qualquer recurso de acessibilidade.

Nem vou entrar no mérito da falta de acessibilidade nas TV´s abertas, essas estão protegidas da obrigatoriedade da oferta de acessibilidade por manobras protelatórias do Ministério das Comunicações.

Verdade se diga, isso não é exclusividade de políticos e de marketeiros. Esta semana mesmo recebi um material de divulgação de um curso sobre inclusão.

Nem o material, nem o site da faculdade que o promovia eram acessíveis. Ao procederem assim, os promotores de tal curso pareciam dizer: "Afinal de contas, para que as pessoas com deficiência precisam de acesso a conteúdos que falem a respeito delas?"

Pior ainda é visitar algumas páginas de políticos que são, eles mesmos, pessoas com deficiência, e descobrir que em seus sites existem conteúdos sem acessibilidade.

Convém lembrar que essa preocupação dos criadores e produtores dos programas de TV, rádio e de páginas da Internet não pode se resumir às questões tecnológicas (se bem que só isso já seria um salto de qualidade enorme), mas também à linguagem e às atitudes devem ser ponto de preocupação desses profissionais.

Muitas pessoas com deficiência, historicamente, tiveram pouco ou nenhum acesso à educação formal e, em decorrência disso, nem sempre vão entender mensagens que usam expressões mais complexas. O que os marketeiros não podem esquecer é que, mesmo sem a mesma bagagem cultural, essas pessoas têm consciência política.

Claro, existe uma grande massa de manobra que se satisfaz com o fato de ganhar um passe livre para o transporte público e barganhar seu voto em troca disso, para depois descobrir que o ônibus é gratuito. E também essas pessoas, junto às demais pessoas com deficiência não conseguirão chegar ao ponto ou embarcar no transporte, pela falta de acessibilidade física.

Claro, existe uma grande massa manobrada por instituições assistencialistas que as tutelam e fazem qualquer negócio para não perder esse poder. Não poucas dessas instituições têm representantes (geralmente, não são as próprias pessoas com deficiência) nas câmaras e no senado, eleitos às custas dessa troca de favores. Tanto uns como outros continuarão presentes na próxima eleição, mas isso também está mudando.

As pessoas estão ficando mais críticas e mais preocupadas em conquistar sua autonomia. Não adianta a propaganda do governante Beltrano falar que está colocando professores auxiliares nas séries iniciais do ensino fundamental se, quando o aluno chega à escola ele descobre que isso só acontece numa escola modelo ou projeto piloto do outro lado da cidade.

Não adianta nada políticos e marketeiros tomarem todas as medidas para que suas campanhas sejam acessíveis se os locais de votação estão repletos de escadas inacessíveis, armadilhas diversas para pessoas com deficiência física, com dificuldade de locomoção, com baixa visão e cegas.

Agora, se você é profissional de marketing, ou produtor de mídia eletrônica e vai trabalhar para algum candidato nas próximas eleições, não deixe de se informar a respeito dos recursos de acessibilidade disponíveis e não se esqueça de incluí-los na sua campanha.

Descubra o que é áudio-descrição, legendagem, interpretação de Libras, existe muita informação a respeito disso na Internet. Convide pessoas com deficiência para participarem dos focus groups sobre a campanha. Entenda a terminologia e a linguagem usadas com essas pessoas.

Isso tudo não garante que todas as pessoas com deficiência votarão no seu candidato mas, pelo menos, evitará que votos sejam perdidos pelo fato de todos esses eleitores em potencial sequer haverem tido conhecimento da sua proposta, pois ela lhes estava inacessível.

Publicado originalmente na Revista Brasileira de Tradução Visual

Descrição da imagem: mão de uma pessoa cega preenchendo uma cédula eleitoral em braille.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um mundo de Geisys

Muito se falou (e ainda se falará), sobre o caso da moça que foi expulsa da universidade (cujo nome não merece menção) depois de ser vítima de assédio moral e, não fosse a intervenção da polícia teria sido vítima de agressão ou, até mesmo, de abuso sexual.

O assunto já foi muito analisado e discutido em diversos fóruns, não vou entrar nesse debate.

O ponto ao qual quero me ater é o seguinte: a moça foi condenada por ser vítima, ou seja, duplamente agredida, num primeiro momento pelos colegas, no segundo por uma instituição que preferiu se livrar de um problema a resolvê-lo. Pior, alegou questões de valores e de ética para detonar com qualquer hipótese de respeito ao direitos humanos.

O que aconteceu com a Geisy chamou a atenção pela cobertura dada pela mídia ao caso. Mas não é nenhuma novidade. Acontece todos os dias com as pessoas com deficiência que são condenadas por terem características que incomodam os demais.

Todos os dias, crianças com deficiência são recusadas ou convidadas a se retirar de escolas, porque não são compatíveis com os valores que essas mesmas escolas dizem ter. Escolas que preferem culpá-las por suas deficiências do que tentar entender a atender a diversidade.

Todos os dias, colegas e pais de colegas preconceituosos assediam as escolas (especialmente as particulares) reclamando da presença de pessoas com deficiência nas suas salas. Todos os dias, escolas aceitam a pressão desses mesmos colegas e pais (em nome do dinheiro que eles pagam, é claro, assim como foi o caso da menina da universidade).

Todos os dias pessoas com deficiência são expulsas (ou recusadas) de ônibus cujos motoristas não querem perder tempo abaixando e levantando plataformas. Todos os dias passageiros sem deficiência comemoram o tempo que não perderam para as pessoas com deficiência embarcarem.

Todos os dias pessoas com deficiência são eliminadas de processos de recrutamento e seleção porque são culpadas das empresas não terem acessibilidade física, de comunicação ou, pelo simples fato de que os possíveis colegas de trabalho não vão se adaptar à presença delas no ambiente de trabalho (lugares onde vemos muito valores como solidariedade, colaboração, respeito, não é mesmo?).

Todos os dias pessoas são expulsas do acesso à cultura, à comunicação, ao lazer. São culpadas por não enxergar, ouvir ou compreender os valores distribuídos nesses canais.

A mídia, os blogs, os políticos, os poderes públicos estão se mobilizando pela Geisy e contra o que significou a atitude da escola.

Será que alguma hora vão se lembrar das demais 24,5 milhões de Geisys que temos espalhadas pelo país?

Descrição da imagem: gravura de uma multidão promovendo o linchamento e enforcamento de um homem negro.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Filhos, esses enjeitados

Por que alguém (no caso, alguéns) coloca um filho no mundo? Claro, muitos nascem, alegadamente, por descuido, como se as pessoas não soubessem exatamente como se dá o processo de produção.

Mas, pensando nos filhos gerados intencionalmente, eu já ouvi as mais diversas explicações.

Alguns alegam que os filhos são a reafirmação dos sonhos e de ver neles realizado tudo aquilo que um dia sonharam para si mesmos. Ou seja, não passam de instrumentos para manobrar suas próprias carências psicológicas.

Outro argumento sujeito as críticas é o da necessidade de satisfação do instinto materno: a recusa de uma mulher em procriar é vista quase que como uma ofensa social. Nesse caso a pressão social é um componente significativo. Alguns os têm por questões de sobrevivência econômica, acreditando que os filhos serão o suporte para a velhice. De novo, um argumento egoísta e, na maioria das vezes, falaz.

Existem casos de filhos que foram usados como possível amarra para casamentos falidos. Os pedantes alegam questões antropológicas de preservação da espécie. A psicologia de cozinha garante que é só para ter uma boneca de verdade para se brincar.

Nenhuma das explicações que eu li indicaram que alguém faça filhos pensando neles. Aliás, os que pensam no futuro das crianças são os que mais relutam em tê-los. A questão em que poucos costumam lembrar é a de que filho dá trabalho. E, cá entre nós, ninguém está muito a fim de trabalhar.

Os bichinhos precisam comer, são carentes de atenção, não poucas vezes ficam doentes. Para completar, uma hora tem de ir para a escola.

Esse é o momento em que os pais acham a sua tábua de salvação. Finalmente encontram um lugar para terceirizar as crias. E a escola que dê conta de fazer tudo aquilo que eles, pais, não estão dispostos a investir seu tempo.

O que é apenas mais uma demonstração do egoísmo original. Filho é ótimo, desde que não atrapalhe a minha individualidade, que não tome o tempo que eu poderia estar usando em atividades mais prazeirosas.

Se a situação já não é boa para os filhos em geral, piora muito quando o filho tem alguma deficiência. Aí é que os pais querem mesmo é se safar deles (claro, nem todos são tão cruéis a ponto de descartá-los), o trabalho é maior, o investimento de tempo muito maior, a necessidade de atenção é imensa.

Por isso não é nada surpreendente que tantos pais sejam contrários à inclusão de seus filhos em escolas comuns. Preferem se livrar deles das 7 às 18h largando em qualquer lugar que prometa que vai tomar conta deles, ainda que esses mesmos lugares não façam das crianças seres humanos de verdade. Jogam os filhos em depósitos de crianças com deficiência e, se pudessem, nem voltariam lá para buscá-las.

Preparar esses filhos para o mundo vai dar muito trabalho, até porque não vai ser tarefa exclusiva da escola comum, vai precisar do envolvimento deles, pais, que não tiveram filhos para ter esse tipo de compromisso.

O pior é que outros pais em cargos políticos estimulam essa lógica. Primeiro porque estão de olho nos votos dos pais insatisfeitos, depois porque muitos deles são, eles mesmos, os beneficiários dos sistemas de exclusão e segregação. O poder adora tutelar pessoas.

Os pais que querem criar seus filhos como seres humanos são chamados de loucos, radicais e até de xiitas.

Essa lógica perversa só muda quando a sociedade quer, só muda se os pais se mexerem para isso. Aí a escola se prepara, os professores se preparam, o mundo muda.

Descrição da imagem: foto de uma multidão numa manifestação política de defesa de direitos civis

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Deficiência Intelectual e envelhecimento

Não é possível falar de envelhecimento das pessoas com deficiência intelectual sem que isso provoque alegria para nós que convivemos diariamente com elas. Afinal de contas, até não muito tempo atrás, esse assunto nem existia na nossa pauta de discussões. E não existia porque essas pessoas não chegavam a envelhecer, tão baixa era a sua expectativa de vida.

Atualmente, muitas pessoas com deficiência intelectual (dentre elas a Síndrome de Down que é a segunda mais frequente de todas) já tem uma expectativa de vida que ultrapassa os 60 anos e, espera-se que nos próximos 10 anos chegue muito próxima da expectativa média de vida da população em geral (que, segundo a última pesquisa Tábua de Vida do IBGE, é de 72,7 anos). Ainda que, em outros casos, como a Síndrome de Rett, essa expectativa ainda é muito baixa.

Claro que, se de um lado temos ganhos do ponto de vista de saúde e de qualidade de vida, por outro, temos questões importantes com as quais precisamos lidar e trabalhar para resolver. Dentre muitas, eu gostaria de me deter em 3 aspectos que, acredito, são os mais relevantes
Do ponto de vista médico, as questões associadas ao envelhecimento precoce
O modelo social de deficiência associado ao modelo social de envelhecimento
A questão da autonomia dessas pessoas

Envelhecimento Precoce: até por estarem vivendo mais, um grande número de pessoas com deficiência intelectual tem mostrado que o envelhecimento começa mais cedo do que na população em geral.

O envelhecimento do organismo como um todo está relacionado com o facto das células somáticas[1] do corpo irem morrendo uma após outra e não serem substituídas por novas como acontece na juventude. No caso dos seres vivos relaciona-se com a diminuição da reserva funcional, com a diminuição da resistência às agressões e com o aumento do risco de morte.

Existem alguns fatores que contribuem para esse envelhecimento precoce biológico, dentre eles a menor eliminação (ou maior estabilização de radicais livres), a maior propensão a outra patologias como o hipotireoidismo(SD), hipercalcemia (Síndrome de Williams), hipotonia (SD e X Frágil).

Existem estudos não conclusivos a respeito de uma maior incidência de Alzheimer entre a população com SD.

A maioria dessas questões médicas estão mais ligadas à prevenção, ou seja, à medida que a informação a respeito das mesmas avança, existe uma tendência a uma menor manifestação futura dos seus efeitos sobre o envelhecimento.

Modelo social : nós sempre discutimos bastante as questões relacionadas ao modelo social da deficiência. Entendemos que, muito além da condição anatômica ou fisiológica que provoca a deficiência, essa é extremamente agravada pelo ambiente hostil em que convivemos. Um mundo sem acessibilidade física, sem acessibilidade de comunicação e, particularmente para as pessoas com deficiência intelectual, cheio de barreiras atitudinais que fazem com que a manifestação da deficiência seja muito maior do que aquilo que a provoca.

A questão do envelhecimento também passa pela questão do modelo social. Além da perda de funcionalidade provocada pelo envelhecimento nós vivemos num mundo que é hostil aos idosos. Essa hostilidade não é muito diferente das que enfrentam as pessoas com deficiência, tanto do ponto de vista de acessibilidade, como do ponto de vista de atitudes.

No caso das pessoas com deficiência intelectual, as consequências da exclusão em que viveram (sem acesso à educação, a um ocupação digna, a relacionamentos sociais não segregados), potencializam outras questões : diminuição da memória e da capacidade raciocínio, depressão e, em alguns casos, o aparecimento de distúrbios psiquiátricos.[2]

Entendemos que, à medida que essas pessoas passarem a ter uma qualidade de vida maior, a tendência é que essas situações diminuam.

Não só por esse motivo, lutamos para que as barreiras atitudinais sejam derrubadas (seja para a pessoas com deficiência, seja para os idosos sem deficiência).

A questão da autonomia

Uma pergunta recorrente entre os pais de adultos com deficiência intelectual e uma preocupação latente entre os pais de crianças com DI é: o que vai acontecer com ele quando eu morrer ?

Os adultos de hoje, na sua esmagadora maioria, não foram educados para serem autônomos, mas para serem “deficientes” e, consequentemente, é isso que eles são.

Não vou entrar no mérito dessa situação, pois ela passa por uma série de valores e crenças que existiam a 30, 40, 50 anos e não acredito que seja saudável culpar alguém pelo passado a partir de premissas que temos hoje.

Por outro lado, não podemos permitir que esse modelo continue a se reproduzir (e ele continua a se reproduzir), caso contrário teremos, no futuro, uma multidão de pessoas com deficiência intelectual idosas reféns de sua própria sorte.

Em relação aos adultos de hoje, precisamos garantir “colchões” sociais que lhes dêem suporte para não ficarem abandonados. Isso inclui questões como moradias assistidas, meios econômicos de vida e relacionamento social e atendimento médico inclusivo (hoje, definitivamente, algo inexistente)

Aos adultos e idosos do futuro, precisamos garantir educação de qualidade que os habilite para o mercado de trabalho, acesso aos contextos que os permitam construir relacionamento sociais sólidos e direitos civis que empoderem a respeito das decisões sobre as suas próprias vidas[3].

[1] Células somáticas são quaisquer células dos organismos multicelulares que não estejam diretamente envolvidas na reprodução, tal como as células da pele.São células cujo núcleo se pode dividir apenas por mitose, ao contrário das células germinativas, que podem sofrer meiose, para formar os gâmetas

[2] Temos os que hoje não foram segregados, tiveram acesso a educação e relacionamento social inclusivo e que já são os com qualidade de vida apesar de ser um número pequeno, muitos tem ocupação digna e são parte dos proventos da casa

[3] Já existe os habilitadas para o mercado de trabalho digno, só a Bauducco tem mais de 100 pessoa com DI trabalhando em linha de produção, além de outros em funções no Banco Real, Fleury, Lavosier, Novartis, American Express, Serasa e outros

Esse artigo foi escrito para um evento do CVI-Brasil e contou com a revisão de Regina Leondarides, Gil Pena, Naira Rodrigues, Edna Belasco, Juliana, e do Dr José Moacir, aos quasi agradeço de coração.

Descrição da imagem: um casal de idosos sentados de costas num banco em um parque.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O discurso do pavor

As escolas públicas, em todos os âmbitos (municipais, estaduais e federais), estão cheias de problemas.

Classes superlotadas. Professores mal remunerados. Questões de segurança pública. Instabilidade de gestão que muda a cada eleição.

Por isso, de acordo com os inimigos da inclusão, é melhor deixar as crianças com deficiência na rede assistencialista particular.

Desde que a rede assistencialista particular continue a se manter com... verbas públicas.

Mais que isso, muitos dos profissionais que trabalham nessas instituições privadas, são funcionários públicos emprestados. Por sinal , eles odeiam quando perdem essa boquinha e tem de voltar a trabalhar em escolas de periferia, Conviver com a pobreza é muito desagradável.

Há não muito tempo escrevi que menos de 300 dessas instituições recebiam do governo do estado 33 vezes mais dinheiro que as 5 mil escolas da rede estadual, para o atendimento de alunos com deficiência.

Quem recebe tanto dinheiro precisa de argumentos para não perdê-lo. E o principal deles é que a escola pública é uma instituição falida. Para eles, quanto pior estiver a educação pública, melhor.

O discurso dessa pessoas me lembra muito um discurso feito pela atriz Regina Duarte nas eleições de 2002, tentando convencer as pessoas pelo pavor.

O pavor que se quer infundir aos pais é o da escola pública.

Mas a escola pública resiste bravamente. Especialmente onde ela compartilha a gestão da escola com a comunidade que atende.

É verdade que muitos professores da escola pública estão desmotivados. Só levam pancada de todos os lados. Da mídia, dos privatistas e, pasmem, até dos governantes que mesmo estando no poder há décadas alegam que o problema da educação não é dos seus governos.

Depois de tanto tempo privatizando a "educação" de pessoas com deficiência apenas para mantê-las eternamente deficientes chegou a hora de investir em outra lógica.

Claro que não vai funcionar da noite para o dia. Claro que surgirão dificuldades, erros, rejeição e problemas. Mas também é claro que só a rede pública é que vai ter a capacidade de atender todas as pessoas com deficiência (e não apenas alguns privilegiados que tem acesso à rede assistencialista privada).

Entre o que já sabemos que não funciona e a possibilidade daquilo que pode funcionar, eu prefiro a esperança do novo.

Ah, antes que eu esqueça. As escolas particulares também superlotam classes em nome do lucro. Seus professores vivem sob o risco de perderem o emprego. Estão cheias de problemas de segurança (drogas, bullying) e também não tem nenhuma estabilidade na gestão.

Descrição da imagem : cena de um homem apavorado por uma assombração

sábado, 11 de julho de 2009

Xiita convidada - Preconceituosa, eu??

Patricia Almeida*

Pesquisa da Fipe sobre preconceito na escola estarrece mãe: “Eu sabia que o número era assustador, mas não estava preparada para a unanimidade”.

Quando minha filha, Amanda, nasceu, há quase cinco anos, eu vivi um dos melhores momentos da minha vida. Depois de duas gestações perdidas, a filhinha que tanto planejamos e esperamos se materializava ali – linda e fofa como imaginávamos.

O bebê rosado recebeu nota alta dos médicos - Apgar 9 e 10! – e foi direto para o quarto, sem precisar ficar na encubadeira. Instalada no bercinho ao lado da minha cama, não cansava de olhar para a minha bebê. Eu estava radiante! Aquela pequenina criança com que tanto sonhamos vinha completar nossa família. Não faltava mais nada para eu ser feliz!

Minha felicidade durou pouco. A pediatra de plantão entrou no quarto. Amanda dormia. Eu, ainda com o sorriso estampado no rosto, quis tirar uma dúvida boba sobre a aparência da minha filha.

– Doutora, esse olhinho dela não é meio Down, não?

Eu já sabia a resposta, claro que não poderia ser. Como na época eu tinha 39 anos e sabia que a probabilidade de ter um bebê com síndrome de Down era maior, fiz todos os exames, inclusive genéticos, que comprovaram sem sombra de dúvida que a filha que eu esperava não tinha síndrome de Down. Só que ninguém me contou que medicina não é matemática e que erros médicos acontecem (aos montes, no caso do laboratório responsável por meu exame). Por tudo isso, eu não estava preparada para a resposta da médica:

- É sim, inclusive ela tem vários outros sinais...

- Como é que é?????????

E foi aí que o meu estado de graça se transformou em desgraça.

A pergunta que me intriga é: Aonde será que foi parar aquela filha idealizada, fofinha e saudável, que se tornou realidade por algumas poucas horas e acabou se transformando no pior dos pesadelos?

Ela continuava ali, quietinha, dormindo diante de mim, mas, cega pelas lágrimas do meu próprio preconceito, eu não conseguia mais vê-la.

Infelizmente, naquele momento não entendia como eu, comunicóloga da PUC, uma pessoa lida, informada, viajada, que falava línguas, que se gabava de ter amigos negros, judeus, homossexuais, eu que achava que não discriminava ninguém, achei que a minha felicidade e a da minha família iria acabar com a entrada de uma criança com deficiência intelectual na família.

Depois de levar cerca de 2 anos desconstruindo o meu próprio preconceito e por fim conseguir enxergar minha filha como uma menina como outra qualquer, ao ler a pesquisa da FIPE sobre preconceito escolar entendo melhor de onde veio todo aquele mal-estar. Eu era uma das 99 pessoas em 100 que têm preconceito com relação à deficiência intelectual.

Os perturbadores números da pesquisa encomendada pelo MEC explicam porque até o Presidente Obama deixou passar uma piadinha preconceituosa com relação aos atletas das Olimpíadas Especiais. Pelo menos ele foi rápido em voltar atrás e pedir desculpas, reconhecendo o erro e condenando sua própria atitude.

Ainda perturbada pela contundência dos números da FIPE, que creio que são únicos não apenas no Brasil como no mundo, já que a exclusão das pessoas com deficiência começa pelas estatísticas, reflito sobre a nossa educação, nossa televisão, nossa cultura, nossa gente...

Aquele que eu achava, ingenuamente, que era um povo aberto às diferenças, que recebia bem os turistas porque era formado por várias etnias, inter-relacionando-se e misturando-se com uma desenvoltura pouco vista em outros países, aquele brasileiro “tão bonzinho”, no fundo destila um preconceito generalizado, que leva ao desrespeito, ao abuso, ao bullying e impede que os grupos discriminados progridam na escola e na vida.

É essa a educação que recebemos e que estamos perpetuando.

Nós não nascemos com preconceito. Ele é um valor adquirido socialmente.

É mais do que hora de encararmos esta dura realidade, assumirmos nossos próprios preconceitos e nos livrarmos o mais rápido possível deles.

A inclusão não é mais apenas um direito. Nem só uma questão de bom senso. É nossa única saída.

*Patricia Almeida
Criadora e Coordenadora da Inclusive – Agência para Promoção da Inclusão


Coordenadora Estratégica do Instituto MetaSocial, do Manifesto Ser Diferente é Normal

Descrição da imagem: uma lousa onde está escrito à mão : Eu discrimino, Tu discriminas, Ele discrimina.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Nossa inclusão cotidiana


Eu adoro falar em seminários, congressos, fóruns. Aliás, quem me conhece, sabe que eu adoro falar.

O que não significa que eu não seja um ótimo ouvinte. Não acredito em ninguém que ache que não tem mais nada a aprender, em qualquer campo do conhecimento.

Nos últimos dias estive em duas situações onde tive a oportunidade de fazer as duas coisas. Uma, no seminário de educação inclusiva que aconteceu durante a Reatech. Outra em dois encontros com professores da EMEI João Paulo II.

Sem nenhum demérito ao primeiro (aliás aprendi muito com o Prof Davi, de Portugal), tenho de reconhecer que aprendi mais no segundo.

Essa EMEI (caso alguém não saiba, significa Escola Municipal de Educação Infantil, que abrange crianças de 3 a 6 anos) está num contexto onde teria tudo para não dar certo. Fica num bairro pobre já nos limites extremos da zona oeste de São Paulo - muita gente já ouviu falar na Parada de Taipas e nunca esteve perto de lá. Funciona em 3 turnos e com classes no limite máximo do número de alunos dessa idade.

Durante quase 5 horas eu conversei com duas turmas de professores, merendeiras, condutores e outros profissionais da escola. Como de hábito falei muito, como de hábito ouvi muitas coisas interessantes - e não existe nada mais interessante do que ouvir como a inclusão acontece na vida real, especialmente onde as situações de exclusão são múltiplas e complexas.

Aprendi, de uma professora, que ela tem um aluno com uma síndrome genética cujo laudo médico dizia que ele não teria possibilidade de fazer um monte de coisas, inclusive de falar. Só que, com ela, o menino fala. E não estava se referindo a simplemente pronunciar uma ou outra palavra esporádica, mas de construir frases, rebater argumentos de forma simples, mas lógica.

De outra professora, com um aluna com um Transtorno Global do Desenvolvimento, que ela, por conta própria, leu tudo que poderia a respeito da deficiência da menina e que até enxerga nela muitas das características apontadas nos livros, mas que nenhuma das receitas de bolo que ela leu funciona, pois a menina não é um produto de confeitaria. O dilema dessa professora nesse momento é: como é que ela convence a mãe da menina a mantê-la numa escola comum (está na última série da EMEI) ao invés de matriculá-la numa instituição segregada.

Fui questionado por uma merendeira a respeito de tratamento diferenciado para as crianças com deficiência. A pergunta era muito simples, mas cheia de conteúdo conceitual : tem um menino que não gosta de bolacha e só quer comer pão. Como ele tem deficiência, eu dou pão para ele... mas e as crianças "normais" que também não gostam de bolacha? Por que eu não posso fazer a mesma coisa? Ou eu dou pão para todos que não gostam de bolacha, ou todos (incluindo a que tem deficiência) ficam sem nada.

Outra pessoa veio me contar de um moleque cujo desenvolvimento, depois que foi para a escola, deu um salto de qualidade que surpreendeu os próprios pais que não acreditavam que ele fosse conseguir fazer ou aprender muita coisa.

Saí de lá com a certeza que, apesar das muitas dificuldades atitudinais, estruturais e financeiras, a inclusão pode acontecer em qualquer lugar, desde que os profissionais envolvidos nessa questão estejam sinceramente interessados em seres humanos. Que estejam abertos à reflexão. E que acreditem que ninguém pode ser abandonado pelo caminho.

Ah...você gostaria de saber o que foi que eu falei? Nada que fosse mais relevante do que o que eu ouvi.

Cheguei em casa bastante cansado, depois desse tempo todo em pé e de enfrentar o trânsito pesado da cidade. Mas hoje eu durmo feliz.

Descrição da imagem: crianças na fila de entrada da EMEI João Paulo II, do bairro de City Jaraguá em São Paulo

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Muito obrigado


Amig@s

Quero agradecer e parabenizar a tod@s que assinaram o manifesto:

Manifesto em Solidariedade ao Companheiro Fabio AdironEm defesa do nosso Direito e Dever de lutar pelos Direitos Humanos e por uma sociedade mais justa para todas as pessoas.

Nestes três dias em que agimos em prol da liberdade e do nosso direito à livre manifestação fortalecemos o nosso movimento , lutamos pelos direitos humanos e fundamentais das pessoas e exercemos a nossa cidadania.

Vamos em frente por que ainda temos um longo caminho a percorrer.

Claudia Grabois –Presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down

Segue abaixo o manifesto com as assinaturas.

Manifesto em Solidariedade ao Companheiro Fabio Adiron
Em defesa do nosso Direito e Dever de lutar pelos Direitos Humanos e por uma sociedade mais justa para todas as pessoas.

Somos familiares, ativistas, instituições e grupos que lutam pelos direito à inclusão ampla, geral e irrestrita das pessoas com ou sem deficiência na nossa sociedade e exercemos o nosso papel nos mais diversos espaços inclusive nos manifestando contra toda e qualquer forma de discriminação. Recentemente recebemos uma carta que, posteriormente foi publicada em um blog com o relato de uma estudante do curso de Especialização em Educação Inclusiva e Deficiência Mental da PUC de São Paulo.

Mesmo indignados com as denúncias não deixamos de dar voz às pessoas que não concordaram com os relatos apresentados, tendo em vista que tanto as manifestações dentro do blog como através de e-mails foram publicadas nos mesmos canais onde foi distribuída a carta.

Estranhamente, o companheiro Fábio Adiron, que nos repassou a carta da estudante passou a ser ameaçado o que não nos parece cabível, sendo constrangido ilegalmente a partir de uma tentativa espúria de tentar nos calar. Aliás, não só ele, mas também a estudante que fez o relato.

A carta foi temporariamente retirada do blog que, por sinal, não era nenhum dos blogs que publica o Fábio Adiron.


Mas não nos calaremos.

Não nos calaremos por que temos compromisso com o que defendemos. Não nos calaremos por que vivemos em um Estado de Direito e muitos de nós participaram das lutas contra o regime militar instaurado em 1964 e fortalecido pelo AI-5 e não permitiremos que ameaças vazias enfraqueçam a nossa causa.


Estamos solidários com o companheiro Fabio Adiron e estaremos, a partir de agora, ainda mais atentos com tudo o que diga respeito à discriminação de pessoas com ou sem deficiência na nossa sociedade.

Vivemos em um país onde discriminar é crime e, à discriminação cabem processos, denúncias, queixas, manifestos, divulgação, mobilizações, reuniões e tudo o mais que as nossas leis permitem pessoas que lutam pela cidadania plena para tod@s as pessoas, não faz parte do nosso exercício político, constranger ou ameaçar. Isso não é permitido a cidadão algum, esclarecendo que o crime de ameaça está tipificado no art 147 do Código Penal.

Não nos calaremos e seguimos na luta. Nada temos pessoalmente contra ninguém, mas esclarecemos que estamos atentos para o que a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem equivalência à Emenda Constitucional e outras leis, passem a permear o nosso cotidiano, seja nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho e nos demais espaços públicos e privados.

Não tentem nos intimidar por que não conseguirão!

Acedir Jesus de Souza
Educador/Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Alba
Universidade Federal da Paraíba
Aline Carla Ferreira Teixeira dos Santos Gherardi
Coordenadora Pedagógica / Professora PI
Aline Zenaide De Souza Vitorino
Assistente Administrativo
Ana Carolina Benedetti
Pedagoga Especialista em Educação Especial e Psicopedagoga
Ana Cássia Teixeira da Silva
RJ Down
Ana Claudia Correa
RJ Down
Ana Galgane Paes
Grupo Síndrome de Down
Ana Luiza Mukai
Publicitária
Ana Luiza Pilla Luce
Médica
Ana Maria E. C. Barbosa
Rede Saci
Ana Paula Crosara de Resende
Advogada
Anahi Guedes de Mello
Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear
Anastázia Ladeira
Grupo Síndrome de Down
Andrea Barbi
Happy Down
Andrea Lungwitz Cleto
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Andrea Monteiro de Siqueira
Jornalista
Andréa Tikhomiroff
Construindo o caminho
Andrei Bastos
Rede Inclusiva RJ
Andréia Maria Anibal
Happy Down
Anelisa Oliveira Mendes dos Santos
Grupo Síndrome de Down
Ângelis Farias da Silva Nascimento
Grupo Síndrome de Down
Anne Oliviera
Grupo Síndrome de Down
Antonia Almeida de Araújo
Grupo 25
Antonio Carlos Sestaro
Associação Up Down - Santos
Aparecida Akiko Fukai
CVI Araci Nallin
Arimar Martins Campos
Fórum Permanente de Educação Inclusiva/Conselho Municipal de Educação de Santos
Benedito José Nogueira Crispim
Grupo Síndrome de Down
Bethânia Mignolo dos Santos
Advogada e Educadora
Carla Codeço
RJ Down
Carmen Silvia Vannucci Dinamarco
Espaço XXI Campinas
Carolina Rodrigues Enge
Pedagoga
Caroline Nobrega de Almeida
Grupo Síndrome de Down
Caroline Pizzini
RJ Down
Celia Kalil
Aprendendo Down
Celia Regina Martelo
Felicidade Down - Sorocaba
Celia Rodrigues Enge
Psicopedagoga
Cintia De Souza Silva
Pedagoga
Claudia Feres Barbosa
Administradora
Claudia Grabois
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down
Claudia Ribeiro
Grupo Síndrome de Down
Claudio Vereza
Deputado Estadual RJ
Cleuziane Oliveira
Grupo Síndrome de Down
Cristiane Zamari Diogo
Grupo Síndrome de Down
Cristina Oliveira
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Daniela Kondor
Professora Da Universidade Veiga de Almeida
Danielle Costa Reis Migueletto,
Débora Mercedes Ramos Rojas Pinho
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Deise Fernandes
Fórum Permanente de Educação Inclusiva/CPFL
Deizi Terezinha Delovo
Educadora
Delmira Gonçalves De Souza
Diná Canavezzi Versehgi Pandolfi
Grupo Síndrome de Down
Edna Antonia de Mattos
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Eduardo Daniel de Souza
Happy Down
Elen Fernanda Assunção Chaves
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Eliana Mara Prado De Barros Santos
Diretora da Escola Globinho e Colégio Global
Eliane Aparecida Andreoli
Professora Centro Universitário Belas Artes/CEMUPI
Elizabet Dias de Sá
Banco de Escola/Coordenadora do CAP BH
Elizabeth Azeredo.
RJ Down
Elizabeth Lucchetti Fagundes
Happy Down
Ester Furquim de Almeida
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Eugenia Maria
Educadora
Fabiana Costa Reis Migueletto
Designer
Fabiana Massariello Vulcano
Revisora Jurídica
Fátima Aparecida Caetano
Grupo Síndrome de Down
Fausto De Lara Cruz
Flavia Maria de Paiva Vital
CVI Araci Nallin
Francisco de Assis Oliveira da Cruz
Projeto RioDown
Francisco Lima
Universidade Federal de Pernambuco
Gecy Fritsch
AFAD 21 Novo Hamburgo
Geisa Oliver
Conquista Down
Genilson Protásio
Presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência do Maranhão
Geovana Beatriz Travalini
Grupo Síndrome de Down
Gersira Espírito Santo
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência RJ/APAE RJ
Gilza Rosa
DF Down
Gisela Bordwell
CVI Araci Nallin
Gisele F.Ferreira
Grupo Síndrome de Down
Glória Maria Moreira Salles
Carpe Diem
Grazi Mancini
Grupo Síndrome de Down/Educadora
Guga Dorea
Grupo Síndrome de Down
Gustavo Torniero
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Helena B.Crochik
Grupo Síndrome de Down
Heron Carlos Alves de Souza Souza
ASD MT
Hugo Pandolfo
AFAD Cachoeira do Sul
Ida De Barros Brizido
Irene Bofo Da Silva
Administradora
Isabel Cristina Bordonale
Grupo Síndrome de Down
Israel Lima
Grupo Síndrome de Down
Ivan Honorato
Grupo Síndrome de Down
Jannette de González de la Lastra
Grupo Síndrome de Down
Jô Bibas
Reviver Down Curitiba
José Guilherme De Selos Margara
Arquiteto
Jose Javier Ibañez Roldán
Designer Gráfico
José Moacir de Lacerda Junior
Médico/Grupo Síndrome de Down
Juliana Costa Reis Migueletto
Designer
Juliana Soares Santos
Grupo Síndrome de Down
Karen Diazzi
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Karina Feres Pereira
Pedagoga
Karla Mascarenhas
Conquista Down
Kathya Feres Long
Grupo Síndrome de Down
Katia Regina Cezar
Katia Maria Fonseca Dias Pinto
Centro de Vida Independente de Campinas
Kryss Fourakis
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Laercio Pereira Da Silva
Artista Plástico
Leila Alves Moreira
Grupo Síndrome de Down
Lenise Sampaio
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Leny Magalhães Mrech
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Leticia Pereira Da Silva
Lidia Aparecida de M. Tudéia
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Lie Ribeiro
Educação e Autismo
Lilia Pinto Martins
Presidente do CVI-Rio
Liliane Garcez
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Lisabeth Aleoni Arruda
Grupo Síndrome de Down
Lisandra Lima
Educação e Autismo
Lívia Maria Villela de Mello Motta
Professora da Faculdade Sumaré e do COGEAE PUC/SP
Luciana Fernandes Duque
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Luciano Abreu Lima
DF Down
Lúcio Carvalho
Grupo Síndrome de Down
Luiz Fernando Correa De Oliveira
Educador
Manuela Meirelles
Educação e Autismo
Marcia Cokotós
RJ Down
Márcia Morais
Educação e Autismo
Márcio Aguiar
Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Niterói
Marco A C Monteiro
Grupo Síndrome de Down
Marco Antonio Queiroz
Bengala Legal
Maria Alice Coelho
Professora
Maria Amelia Vampré Xavier
Diretora para Assuntos Internacionais da Federação Nacional das APAEs
Maria Cristina Etcheverry
Grupo Síndrome de Down
Maria de Lourdes Marques Lima
DF Down
Maria Ligia de Castro e Carrijo Monteiro
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Maria Regina Barros Mercurio
Mais Diferenças/Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Maria Teresa Eglér Mantoan
Faculdade de Educação da Unicamp
Mariazinha Pereira
Grupo Síndrome de Down
Maria Zelinda Civolani Martins
Educadora/Grupo Síndrome de Down
Marina Teresa Capucim
Educadora/Grupo Síndrome de Down
Marineia Crosara de Resende
Professora Universidade Federal de Uberlândia
Marione Pires Morais
Grupo Síndrome de Down
Marli Vizim
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Marta Gil
Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas
Mauro Carmélio
Grupo Síndrome de Down
Meire Simões dos Santos
Grupo Síndrome de Down
Melisa Lima Bonilha
Fisioterapeuta
Míriam Cristina Frey de Lira
Grupo Síndrome de Down
Naira Rodrigues
CVI Araci Nallin
Nancy Costa Pagnanelli
Psicóloga/ Carpe Diem
Narli Blanco Resende Pinto de Souza
RJ Down
Naziberto Lopes Oliveira
Molla- Movimento pelo livro acessível
Octávio Canongia Long Júnior,
Administrador de Empresa
Onivaldo José Brochini
Grupo Síndrome de Down
Patrícia Almeida
Grupo Síndrome de Down/Agência Inclusive
Paulo César de Oliveira
Grupo Síndrome de Down
Paulo Flávio Barbosa Da Silva
Representante Comercial
Priscila Galvão
Rede Inclusiva
Priscila Keiko Shiguematsu
Profª Drª Marinalva S Oliveira
Universidade Federal do Amapá
Profa. Dra. Windyz Ferreira
DHP Universidade Federal da Paraíba
Regina Atalla
CVI Bahia
Regina Cohen
Núcleo Pró-Acesso UFRJ
Renato Diogo
Grupo Síndrome de Down
Renato Laurenti
CVI Araci Nallin
Renato Nunes Abreu
Publicitário
Ricardo Pereira Da Silva
Consultor
Rita Mendonça
Procuradora do MPT/Alagoas Inclusiva
Rodrigo Lopes dos Santos
Grupo Síndrome de Down
Romeu Sassaki
CVI Araci Nallin
Ronaldo Tikhomiroff
Construindo o caminho
Rosa Tieko M.Zebele
Happy Down
Rosana Carlos Lins
Grupo Síndrome de Down
Rosana Queiroz da Silva Rodrigues
Grupo Síndrome de Down
Rosângela Gavioli Prieto
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Samantha Juliano De Carvalho
Samantha Romano
Grupo Síndrome de Down
Sandra Mary Mansueti Ribeiro
Grupo Síndrome de Down
Sandra Pezeta
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Sandra Tavares
Universo Down
Silmara Ribas de Abreu
Happy Down
Silvana Azevedo
Grupo Síndrome de Down
Simone Remusat Long
Cirurgião-Dentista
Solane Leonor C. Lima
ABRASPP
Solange Ferrarezi Zanetta
Prefeitura de Santo André
Sônia Aparecida Stancov Bernucci
Grupo Síndrome de Down
Sonia F T Rodrigues
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Sonia Maria da Silva Nobrega
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Suely Moura
Grupo Síndrome de Down
Suely Satow
CEDIPOD
Susana Maria Frias Pereira
Grupo Síndrome de Down
Tatiana Biazzoto Campos
Educadora
Tatiana Guz
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Tatiane Miranda da Rosa
Happy Down
Teresa Cristina Machado Baumotte Alencar
Happy Down
Valéria Gusman
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Valéria Lllacer
Educação e Autismo
Vera Lucia De Barros Brizido Feres
Vilma Mello
APS Down Londrina
Vinicius Gaspar Garcia
Centro de Vida Independente de Campinas
Viviane Lima Lourenço
Warley Viana
Coletivo PPD's-Apeoesp
Zilma Saibro da Silva
Fórum Permanente de Educação Inclusiva

Descrição da imagem : uma mulher sinalizando a palavra "amigo" em Libras (imagem do site Acesso Brasil)