quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Inclusão é a #$@*& !!

Já se passaram quase 50 anos da revolução sexual dos anos 60, mas sexo ainda é um tema que causa profundo estranhamento nas pessoas (mesmo as que nasceram bem depois disso).

Alguns temas ainda são grandes tabus, especialmente quando surgem em contextos onde não eram esperados. A notícia da BBC que foi criado um bordel para pessoas com deficiência na Holanda acabou sendo muito pouca comentada nos grupos, exceto por uma brincadeira do MAQ e uma questão do Lúcio se seria um caso de prostituição inclusiva (essa análise eu faço um pouco mais adiante), de resto, silêncio geral.

Não é a primeira vez, há cerca de um ano saiu uma notícia sobre a iniciação sexual de pessoas com deficiência em prostíbulos.

A verdade é que muitos acreditam que as pessoas com deficiência são assexuadas ou, na melhor das hipóteses, que precisam se contentar em se relacionar com os seus iguais.

Não sou defensor da prostituição. Muito pelo contrário, acho que é uma forma de degradação das pessoas (que fornecem o serviço e também das que o consomem). O que não significa que deixe de ser uma realidade. Pode-se alegar que seja ilegal, imoral e inconveniente. Mas está aí em todo o lugar e, em alguns países de forma legal.

Ou seja, podemos até nos posicionar contrariamente à prostituição, desde que seja para todos (no caso, para ninguém), mas supor que existindo não possa estar acessível às pessoas com deficiência que a querem é uma posição contraditória.

As pessoas com deficiência não são menos humanos que os demais. Também tem suas práticas imorais, ilegais e inconvenientes.

Eu acho o fim da picada as pessoas se prostituirem, mas não me surpreenderia se lesse uma notícia em que as próprias pessoas com deficiência oferecessem seus corpos. Um excelente artigo da Lia Crespo trata da questão da atração sexual por pessoas com deficiência (e estou falando de desejo sexual não de abusos).

Pessoas com deficiência também gostam de ler a Playboy e ver filmes pornográficos, como outras pessoas que também gostam disso.

Quanto à pergunta do Lúcio : seria essa a prostituição inclusiva ?

Certamente não, uma vez que é um bordel criado especificamente para atender pessoas com deficiência, ou seja um bordel especial. Seria inclusiva se a notícia dissesse que todos os bordéis da Holanda atendem pessoas com deficiência junto com os demais clientes sem deficiência.

Acho que as prostitutas dos bordéis comuns alegam que não estão preparadas para lidar com essas pessoas...afinal, devem ter demandas que não constam do Kama Sutra.

Descrição da imagem : prostitutas vistas da cintura para baixo na calçada de uma avenida

7 comentários:

Vilma disse...

È um absurdo não considerar as pessoas como um todo. Sexo faz parte da vida, não pode ser simplesmente "arrancado" de alguém. Privar as pessoas com deficiência de sexo é totalmente injusto. Quanto a bordéis e afins, acho que devemos lhes dar orientações e também a mesma liberdade que temos de escolher quando e com quem.

Anônimo disse...

Fábio, aquele bordel não é só para pessoas com deficiência, é para todos, inclusive pessoas com deficiências. Nesse sentido, é inclusivo. A reportagem destacou suas adaptações para pessoas com deficiência, inclusive depoimentos, por esse bordel possuir essa diferença, mas se ler direitinho você percebe que é um bordel para todos! Aqui no Rio, onde eu trabalhava, a maioria dos cegos eram solteiros e foi descoberto um bordel no centro da cidade que atendia com especial atenção pessoas com deficiência visual, eram tão iguais que nem desconto era dado pelo fato de serem pessoas com deficiência! Excelente lugar! A sexualidade de pessoas com paralisia cerebral também é bem explicada no texto de Ronaldo Correia Junior em:
www.bengalalegal.com/ronaldo.php

Abraços anônimos do MAQ. (risos).

Anônimo disse...

Acho que a confusão aqui é bem simples e o Fabio (que é marqueteiro e mestre em fazer/desfazer contradições) está se fazendo de nabo: a prostituição existe, é degradante e inacessível. O que devemos, portanto, fazer com ela?

Fábio, você é um lobo velho.
E o MAQ, que eu não conheço pessoalmente, deve ser um sujeito inqualificável!! srrsrs

Abs
Lucio

fabio disse...

Vilma : mas não é o que pensam muitos

MAQ : a notícia da BBC não dava essa interpretação, parecia mesmo bordel especial

Lúcio : fica me devendo a tradução. O que fazer com a prostituição é uma boa pergunta. Por mim acabava-se com ela, mas nossa sociedade capitalista não permitiria que essa fonte de renda, para muitos, se extinguisse.

Naira disse...

Fabio,
as questões da sexualidade, do sexo e, principalmente, da orientação sexual,
parecem ser invisíveis quando estão relacionadas às pessoas com deficiência, a
notícia do bordel acessível na Holanda nos faz pensar no quanto desconsideramos
tais discussões, seja nas listas, seja em eventos ou em quaisquer espaços
coletivos
talvez por tratar-se de tema, ainda muito complicado para a grande maioria das
pessoas, por muitos de nós termos crescido sob uma "moral" cristã que
desconsiderava o prazer e a própria sexualidade como aspecto constituinte de
todo ser humano
acho que quando falamos de sexualidade e pessoas com deficiência estamos falando
de pessoas com direitos de ser, apenas quem são, de sentir, constituir-se
livremente em uma sociedade que, ainda hoje, não nos considera como seres
integrais
bem, acho tudo isso e muito mais, precisamos nos desesconder em relação à
sexualidade
beijos
Naira

Rita Mendonça disse...

Texto "dez"!
Já está circulando nas listas alagoanas.
Um forte abraço.

Alexandre Mapurunga disse...

Olá Fábio,
Muito bom o artigo. Outro dia estive com uma amiga Holanda que passou um tempo em Fortaleza. Ela me falou que existem lá prostitutas especializadas em vender sexo para pessoas com deficiência. Me falou até que o Governo Holandês banca, em alguns casos, profissionais do sexo para atenderem pessoas com deficiência intelectual, nas palavras dela.
A Holanda é um país onde as liberdades individuais e, em consequência disso, as responsabilidades indviduais tem uma força grande. É idéia de que o cidadão é dotado de razão e consciência e não precisa que o governo fique dizendo isso "você pode", "isso não pode". Então você pode ter um prostíbulo, uma boca-de-fumo, enfim, o negócio que você bem entender, desde que seja acessível.